Na Bíblia Sagrada existem muitas passagens que por muito tempo estiveram obscuras aos seus leitores como algumas ainda até os tempos de hoje. Chamamos de obscuras, pois a interpretação desses textos nem sempre condiziam ou condizem com o que realmente a Escritura Sagrada quer nos transmitir.
Como teólogos e leitores da bíblia, temos o compromisso de não apenas ler, mas sim o examinar o texto. Examinar requer de nós uma analise minuciosa no qual buscaremos o auxílio de diversas ferramentas a nossa disposição como a história, filosofia, antropologia, astronomia e uma que se tornou fundamental para entendermos diversas passagens bíblicas, a arqueologia.
A palavra arqueologia origina-se do termo grego archaiologia [archaios+logos], significando literalmente “um estudo das coisas antigas ou arcaicas”. Essa palavra era utilizada pelos gregos para se referir as suas lendas e tradições. Segundo o professor Randall Price, a primeira referência a esse termo é mencionada no inglês no século XVII (1607) quanto à busca, a pesquisa da Israel primitiva “com relação a fontes de literatura como a bíblia”. Mas, Foi no século XIX quando artefatos dos tempos bíblicos foram encontrados em escavações é que a palavra foi a estes aplicadas, portanto a “arqueologia está ligada a bíblia desde o começo”.
Hoje com o auxílio da arqueologia bíblica podemos compreender muitos dos textos que anteriormente tínhamos dificuldades. Uma das passagens bíblicas a qual a arqueologia nos ajudou a entender foi o caso entre pai e filha, Labão e Raquel quando esta furtou os deuses de seu pai narrado em Gênesis 31, leiamos o texto:
V. 19- E, havendo Labão indo a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha.
V. 30- E agora, se te querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar à casa de teu pai, por que furtaste os meus deuses?
V. 32- Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está comigo e toma-o para ti. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado.
V. 33- Então, Entrou Labão na tenda de Jacó, e na tenda de Leia, e na tenda de ambas as servas e não os achou; e, saindo da tenda de leia, entrou na tenda de Raquel.
V. 34- Mas tinha tomado Raquel os ídolos, e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre eles; e apalpou Labão toda a tenda e não os achou.
V.35- E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira nos olhos do meu senhor, que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E ele procurou, mas não achou os ídolos.
Esta passagem como sabemos retrata o momento em que Deus fala com Jacó para que este com sua família saiam da terra Padã Harã e vá para a terra de seus pais, Berseba. Nesta saída, Raquel furtou de seu pai os deuses que a ele pertenciam e os escondeu de forma que, Leia sua irmã e nem Jacó tinham conhecimento de tal atitude; após a saída deles deram-se conta de que Jacó e família tinham fugido logo, Labão percebeu que seus deuses tinham sido roubados.
Mas agora vem o questionamento: Por que tanto interesse por parte de Labão e Raquel com relação a esses deuses e, o que levou Raquel a furtar estes deuses? Será que Labão e Raquel eram idólatras, ou será que fomos injustos acusando ambos de idolatria?
ídolos do lar
É nesse momento que o auxilio da arqueologia bíblica é imprescindível. No livro “E a Bíblia Tinha Razão” lançado em 1955 pelo autor Werner Keller nos oferece uma explicação com relação ao assunto em pauta. Segundo as tabuinhas Nuzi (datam dos séculos XV e XIV a.c), os deuses ou teraphins em hebraico, trata-se dos ídolos do lar que eram estatuetas pequenas feitas de forma que se parecesse com seus donos e que tinham como significado o que hoje conhecemos como títulos de propriedade, ou seja, após a morte do proprietário legítimo dos bens quem tivesse posse dessas estatuetas se tornaria o atual dono de tudo quanto o falecido possuía, ou seja, após a morte de seu sogro, Jacó como genro de Labão poderia recorrer e contestar o que lhe era de direito assim como a sua esposa Raquel e estes teriam a liderança da família e se tornariam os herdeiros legítimos de tudo quanto Labão possuía.
Tabuinhas de Nuzi
Nessa pequena reflexão chegamos à conclusão da necessidade que temos de nos dedicar a leitura e ao exame cuidadoso da Bíblia Sagrada. Somos aqui impelidos a nos debruçar sobre a pesquisa, buscando o auxilio de todas as fontes necessárias para que possamos ter uma melhor compreensão das Escrituras Sagradas.
BIBLIOGRAFIA
E a Bíblia Tinha Razão- Werner Keller, 1978.
Bíblia Sagrada- Versão Revista e Atualizada, JFA-SBB, 2009.
Arqueologia Bíblica- Randall Price, CPAD, 2009.


Texto muito bom.
ResponderExcluirParabéns 👏👏👏👏
Que estudo primoroso, este com certeza é o motivo da orientação bíblica, para meditarmos na palavra de dia e de noite.
ResponderExcluirGente, sempre pregamos que ela tinha apego pelos ídolos, muito esclarecedor.
ResponderExcluirMuito bom esse estudo, isso mostra o quanto devemos fazer minucioso estudo da palavra de Deus, pra não fazer comentários alheios.
ResponderExcluirTirou minhas duvidas Deus abençoe lindo estudo
ResponderExcluirBoa tarde, Graça e Paz
ExcluirObrigado pela leitura e comentário no blog.