quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Credo Apostólico

    

    Ao longo da historia cristã muitos tem procurado uma referencia secundária de autoridade relacionada à fé. No período da Reforma Protestante o Doutor Martinho Lutero valorizou o que conhecemos como Credo dos Apóstolos em seu Breve Catecismo e no seu Catecismo Maior. O Reformador João Calvino também cita o credo em benefício da igreja em Genebra em sua obra Instrução na Fé, e o Catecismo de Heidelberg também comenta este credo.
         O credo apostólico recebe essa nomenclatura não por ter sido elaborado pelos apóstolos e sim porque nele contém as doutrinas do antigo e novo testamento que eram ensinados por eles. O credo é a apresentação do ensino bíblico, ortodoxo e consensual crido em todo lugar, tempo e todos.
         
         O credo que de modo geral é recitado por católicos ortodoxos e protestantes, é o seguinte:
Creio em Deus, o Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
a santa Igreja católica, a comunhão dos santos,
a remissão dos pecados,
a ressurreição da carne,
a vida eterna.
Amém.
Segue o texto original em latim:
Credo in Deum Patrem omnipotentem, Creatorem caeli et terrae,
et in Iesum Christum, Filium Eius unicum, Dominum nostrum,
qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria Virgine,
passus sub Pontio Pilato, crucifixus, mortuus, et sepultus,
descendit ad inferos, tertia die resurrexit a mortuis,
ascendit ad caelos, sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis,
inde venturus est iudicare vivos et mortuos.
Credo in Spiritum Sanctum,
sanctam Ecclesiam catholicam, sanctorum communionem,
remissionem peccatorum,
carnis resurrectionem,
vitam aeternam.
Amen.
       Ao examinarmos tal documento encontramos ensinos que são fundamentais para nos guiar no tempo em que vivemos.
      A forma completa do credo como se conhece em nossos dias teve sua origem na Gália, atual França em torno do século VIII, e partes dele já eram bem mais antigas sendo encontrado em escritos dos pais da igreja.
     Uma pergunta pode surgir: porque não há “creio na escritura”?
     Cirilo de Jerusalém (Bispo de Jerusalém) afirmou:
Esta síntese da fé não foi feita segundo as opiniões humanas: mas recolheu-se de toda a Escritura o que nela há de mais importante, para íntegra aquilo e só aquilo que a fé ensina. E, tal como a semente de mostarda contém, num pequeno grão, numerosos ramos, do mesmo modo este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contido no Antigo e no Novo Testamento.
João Calvino também afirmou:
Ele [o Credo] nada contém de doutrina
humana. Pelo contrário, é uma coleção de testemunhos certíssimos da Escritura.
 
   Tanto Cirilo de Jerusalém como João Calvino concluem que é impossível declarar o credo se não for a partir de uma compreensão da inspiração das sagradas escrituras. O credo só tem valor quando cremos que o Espírito Santo soprou as palavras que formam a bíblia sagrada. 
O credo também é conhecido como “símbolo de fé” (symbolum apostolicum). No mundo antigo romano o imperador enfrentava muitos problemas em suas fronteiras um desses problemas eram os povos bárbaros o que se tornava necessário o envio das legiões para proteção impedindo assim as invasões. Quando havia necessidade das tropas se separarem por questões de estratégia, os comandantes dessas legiões quebravam um vaso e pegariam dois cacos que se encaixassem perfeitamente, pois se houvesse a necessidade das tropas se comunicarem eles teriam a certeza que o mensageiro não foi interceptado e que a mensagem não foi modificada. Era enviado um mensageiro para alcançar a outra tropa militar e assim além da mensagem que levava, estava também de posse do pedaço do vaso (caco). Quando chegava ao acampamento ele entregava a mensagem juntamente com o pedaço de caco que seria unido ao outro assim, atestando que a mensagem vinha realmente do comandante da outra tropa e que era necessário acatar aquela ordem. Este reconhecimento era chamado de “símbolo” (symbolum). Esta era uma palavra de cunho militar utilizada para impedir a interceptação da mensagem ou que fosse corrompida pelo inimigo.
Essa palavra foi adaptada para o âmbito da fé cristã e o símbolo de fé era um meio de reconhecimento entre os cristãos do primeiro século. Uma das formas de reconhecimento era conhecer o credo que era um símbolo. Neste período havia formas estratégicas de reconhecimentos dos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo e outro símbolo era o peixe, se houve suspeita que naquele ambiente praça, mercado ou outro lugar que fosse uma parte do peixe era desenhado no chão e logo o outro discípulo vinha e completava o desenho fosse com uma vara, com o dedo ou até mesmo usando os pés. A palavra peixe no grego é ICHTUS, que era acrônimo da expressão Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.        
Pelo motivo de perseguição por parte dos romanos, a comunidade cristã se identificava dessa forma. Mas, ainda nos primeiros séculos da historia da igreja houve outros grupos heréticos como gnósticos, marcionitas, montanistas, pelagianos e donatistas empenhando-se para efetuar alterações a mensagem da igreja. Por estes motivos, a igreja cristã desenvolveu um grupo de sinais para proteção da missão e mensagem. O credo, o símbolo de fé seria uma dessas salvaguardas.
Havia um consenso por parte dos primeiros escritores cristãos, de que não valeria a pena discutir as escrituras com os heréticos porque, estes constantemente adulteravam a mensagem das escrituras. Uma maneira de descobrir se o individuo era cristão ou não, seria pela sua afirmação positiva ou negativa com relação ao credo, se cresse era reconhecido como cristão se não, este já era um indicativo de que o tal não tem a Escritura como a única palavra de Deus.
Se houvesse demonstração de aceitação do símbolo de fé, nesse caso era aceito o debate bíblico. Se esta pessoa não aceitasse o credo era considerada como a margem, alguém como lutando contra a igreja. 

BIBLIOGRAFIA:
O CREDO DOS APÓSTOLOS- AS DOUTRINAS CENTRAIS DA FÉ CRISTÃ- Franklin Ferreira. São Paulo- Ed. Fiel, 2015.  

5 comentários:

  1. Amém que Deus possa continuar ministrando ao seu coração patp compartilhar conosco os ensinamentos de Jesus Cristo.🙏🙏🙏👍👏

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  2. Parabéns pela bela postagens. Que Deus continue iluminando o seu entendimento.

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  3. que Deus continue se dando inspiração pelo teu Espirito santo para você continua compartilhando para conosco sobre esses comentários suma importancia e edificação para nossa vida

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  4. Parabéns pelo belíssimo Estudo meu caro pastor Luciano custódio, muito rico pra se fazer uma aplicação!!

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