quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Labão e Raquel: Por que tanto interesse pelos deuses?

 

    Na Bíblia Sagrada existem muitas passagens que por muito tempo estiveram obscuras aos seus leitores como algumas ainda até os tempos de hoje. Chamamos de obscuras, pois a interpretação desses textos nem sempre condiziam ou condizem com o que realmente a Escritura Sagrada quer nos transmitir.
     Como teólogos e leitores da bíblia, temos o compromisso de não apenas ler, mas sim o examinar o texto. Examinar requer de nós uma analise minuciosa no qual buscaremos o auxílio de diversas ferramentas a nossa disposição como a história, filosofia, antropologia, astronomia e uma que se tornou fundamental para entendermos diversas passagens bíblicas, a arqueologia. 
      A palavra arqueologia origina-se do termo grego archaiologia [archaios+logos], significando literalmente “um estudo das coisas antigas ou arcaicas”.  Essa palavra era utilizada pelos gregos para se referir as suas lendas e tradições. Segundo o professor Randall Price, a primeira referência a esse termo é mencionada no inglês no século XVII (1607) quanto à busca, a pesquisa da Israel primitiva “com relação a fontes de literatura como a bíblia”. Mas, Foi no século XIX quando artefatos dos tempos bíblicos foram encontrados em escavações é que a palavra foi a estes aplicadas, portanto a “arqueologia está ligada a bíblia desde o começo”.
      Hoje com o auxílio da arqueologia bíblica podemos compreender muitos dos textos que anteriormente tínhamos dificuldades. Uma das passagens bíblicas a qual a arqueologia nos ajudou a entender foi o caso entre pai e filha, Labão e Raquel quando esta furtou os deuses de seu pai narrado em Gênesis 31, leiamos o texto:
V. 19- E, havendo Labão indo a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha.
V. 30- E agora, se te querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar à casa de teu pai, por que furtaste os meus deuses?
V. 32- Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está comigo e toma-o para ti. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado.
V. 33- Então, Entrou Labão na tenda de Jacó, e na tenda de Leia, e na tenda de ambas as servas e não os achou; e, saindo da tenda de leia, entrou na tenda de Raquel.
V. 34- Mas tinha tomado Raquel os ídolos, e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre eles; e apalpou Labão toda a tenda e não os achou.
V.35- E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira nos olhos do meu senhor, que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E ele procurou, mas não achou os ídolos.
      Esta passagem como sabemos retrata o momento em que Deus fala com Jacó para que este com sua família saiam da terra Padã Harã e vá para a terra de seus pais, Berseba. Nesta saída, Raquel furtou de seu pai os deuses que a ele pertenciam e os escondeu de forma que, Leia sua irmã e nem Jacó tinham conhecimento de tal atitude; após a saída deles deram-se conta de que Jacó e família tinham fugido logo, Labão percebeu que seus deuses tinham sido roubados.
      Mas agora vem o questionamento: Por que tanto interesse por parte de Labão e Raquel com relação a esses deuses e, o que levou Raquel a furtar estes deuses?  Será que Labão e Raquel eram idólatras, ou será que fomos injustos acusando ambos de idolatria?

                            ídolos do lar

                                                                   

      É nesse momento que o auxilio da arqueologia bíblica é imprescindível. No livro “E a Bíblia Tinha Razão” lançado em 1955 pelo autor Werner Keller nos oferece uma explicação com relação ao assunto em pauta. Segundo as tabuinhas Nuzi (datam dos séculos XV e XIV a.c), os deuses ou teraphins em hebraico, trata-se dos ídolos do lar que eram estatuetas pequenas feitas de forma que se parecesse com seus donos e que tinham como significado o que hoje conhecemos como títulos de propriedade, ou   seja, após a morte do proprietário legítimo dos bens quem tivesse posse dessas estatuetas se tornaria o atual dono de tudo quanto o falecido possuía, ou seja, após a morte de seu sogro, Jacó como genro de Labão poderia recorrer e contestar o que lhe era de direito assim como a sua esposa Raquel e estes teriam a liderança da família e se tornariam os herdeiros legítimos de tudo quanto Labão possuía. 

           Tabuinhas de Nuzi     

       Nessa pequena reflexão chegamos à conclusão da necessidade que temos de nos dedicar a leitura e ao exame cuidadoso da Bíblia Sagrada. Somos aqui impelidos a nos debruçar sobre a pesquisa, buscando o auxilio de todas as fontes necessárias para que possamos ter uma melhor compreensão das Escrituras Sagradas.   

BIBLIOGRAFIA
E a Bíblia Tinha Razão- Werner Keller, 1978.

Bíblia Sagrada- Versão Revista e Atualizada, JFA-SBB, 2009.

Arqueologia Bíblica- Randall Price, CPAD, 2009.

6 comentários:

  1. Texto muito bom.
    Parabéns 👏👏👏👏

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  2. Que estudo primoroso, este com certeza é o motivo da orientação bíblica, para meditarmos na palavra de dia e de noite.

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  3. Gente, sempre pregamos que ela tinha apego pelos ídolos, muito esclarecedor.

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  4. Muito bom esse estudo, isso mostra o quanto devemos fazer minucioso estudo da palavra de Deus, pra não fazer comentários alheios.

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  5. Tirou minhas duvidas Deus abençoe lindo estudo

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    1. Boa tarde, Graça e Paz

      Obrigado pela leitura e comentário no blog.

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