quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Terceira parte do estudo- A Cruz e a pregação a função dos verdadeiros pregadores

A centralidade da pregação 

   A igreja foi fundada por Jesus Cristo, e essa existe para anunciar o Cristo crucificado.
   Muitos dos sermões que atualmente temos ouvido são mensagens comprometidas com o egocentrismo/antropocentrismo, palavras de autoajuda, contudo as mensagens devem apontar para aquele que João Batista afirmou ser o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus Cristo, Jo 1.29.
    O alemão Matthias Günewald, um pintor cristão do século XVI retrata a crucificação em seu quadro “A crucificação”, este foi elaborado entre 1512 e 1516, analise abaixo:


     Essa pintara tinha como objetivo trazer conforto aos leprosos já que o objetivo era expor em um leprosário lembrando que Cristo se desfez no Gólgota como eles. O pintor relembra aos doentes que Cristo tem empatia, que ele não está distante dos problemas que enfrentamos na vida física, Hb 2.18.
    A imagem também chama a atenção para outra verdade, João Batista segurando as escrituras com a mão esquerda e com a direita apontando para o Cristo crucificado. A escritura em sua mão significa a fundamentação de sua pregação e que, todo pregador deve ter seus sermões fundamentados nas escrituras sagradas. Recorrendo ao texto bíblico (Jo 1.29, 36) temos a informação de que certo dia João Batista ao ver Jesus, testemunhou acerca do Cristo dizendo:
“Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, v.29. No dia seguinte João ao ver Jesus novamente, disse: “Eis aqui o cordeiro de Deus”, v.36. João o último profeta do antigo testamento, não testemunhava de si mesmo e sim de Cristo Senhor e Salvador. Logo após João ter testemunhado acerca do Cristo dois dos discípulos que o ouviram seguiram a Jesus, v.37.
     Houve uma ocasião em que os discípulos de João e um judeu em seus questionamentos foram até João Batista denunciando que aquele que esteve com ele a qual ele batizou, agora estava também batizando e João logo os explicou acerca de sua missão e que era necessário que Cristo fosse o exaltado e ele se submetesse a essa autoridade, Jo 3. 22-31.
    Outro quadro que também retrata o Cristo crucificado como o centro da pregação é o “Sermão de Martinho Lutero” (1547), pintado pelo artista Lucas Cranach, o velho. Analise a pintura abaixo:


   Esta pintura retrata com exatidão o ministério de Lutero. O objetivo do reformador ao expor seus sermões era que Cristo fosse descortinado aos seus ouvintes ao contrario do que anteriormente ele viveu em seus conflitos por não conhecer a mensagem da cruz, mesmo já tendo se tornado um monge agostiniano. Lutero na dieta de Worms quando indagado pela segunda vez ele afirmou que sua mente estava cativa à palavra de Deus e que não era seguro ir contra a própria consciência.
    Conforme o quadro pintado por Cranach, Lutero tinha seus sermões fundamentados nas verdades das escrituras e não em concílios. Seu interesse era expor as escrituras para trazer conhecimento aos ouvintes tendo como resultado uma igreja forte e sadia, pronta a combater as heresias.
   Paulo o apóstolo expõe o tema de sua pregação quando escreve aos coríntios, 1 Co 1.23; enquanto os judeus buscavam sinais, pois eram voltados a coisas concretas, os gregos embriagavam-se em sua filosofia. Os judeus exigiam sinais como fizeram com Jesus, Mt 12.38; 16.1, 4; Mc 8.11; Jo 16.30, e a cruz para eles era uma vergonha, algo inaceitável, uma ofensa, incabível para um messias. Os gregos honravam seus pensadores mais notáveis e desprezavam todos aqueles que não valorizavam a cultura e em seu orgulho intelectual os gregos descartavam o evangelho como referência para suas vidas. Paulo afirma que sua pregação tinha como fundamento a cruz, o Cristo crucificado, pois a “crucificação é permanente em sua eficácia e em seus efeitos”.
    No capitulo seguinte (1 Co 2.2-5) , Paulo novamente enfatiza o tema da sua pregação, Cristo crucificado. Apesar de conhecer a cultura grega e ter recebido da mesma, sua pregação não estava fundamentada em Sócrates, Platão ou Aristóteles e sim na sabedoria divina. Paulo aqui não está desprezando a cultura mais sim ressaltando a magnitude da sabedoria divina. O apóstolo causou convencimento aos seus ouvintes não pelo uso da sabedoria platônica ou aristotélica e sim pelo poder do Espírito Santo.
    A mensagem que Paulo anunciava era o poder e sabedoria de Deus, ou seja, o Cristo crucificado. A sabedoria de Deus foi expressa através do Cristo que se tornou homem e habitou entre nós e que entregou sua própria vida por nós pecadores. Como disse o autor Leon Morris: “Aqui está à sabedoria real, argumentem como quiserem os filósofos”. Andávamos mortos em delitos e pecados, longe de Deus, destituídos de sua glória, no entanto recebemos o seu chamado, chamado eficaz onde hoje podemos desfrutar da sua graça e através de Cristo vencer o poder do pecado.
    E por qual motivo Paulo não pregou filosofia, política ou, porque não ensinou sobre cultura e arte grega?, O apóstolo nos dá uma resposta, diz:
“Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a
sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada”; (1 Co 2.6- revista e atualizada). Paulo afirma que a sabedoria desse mundo se reduz a nada. Grandes nomes da filosofia já tinham passado por esse mundo antes mesmo de Jesus e Paulo como Sócrates, Platão e Aristóteles, entretanto houve fracasso, não foram capazes de conhecer a Deus por sua própria sabedoria, 1 Co 1.21.
    Thomas Masaryk13 levanta uma questão sobre a influência da filosofia na sociedade, diz ele: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de modos diferentes. O problema, entretanto, é como mudá-lo”. Para os gregos as questões filosóficas eram de alta relevância; mas, qual o significado disso?,“filosofia significa uma tentativa de entender a vida”. Nenhum homem em sã consciência verá problemas ao seu redor e irá ignora-los, mas irá questionar-se sobre o motivo de estar vivenciando tal situação. Apesar de o mundo antigo ter abrigado grandes nomes da filosofia, a sociedade vivia em grande degradação; o apóstolo Paulo descreve a situação da época:

Romanos 1.28-32 Revista e atualizada

28- E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o
próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,
29- cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores,
30- caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais,
31- insensatos, pérfidos, sem afeição natura e sem misericórdia.
32- Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as que fazem, mas também aprovam os que assim procedem.
     Paulo anunciou a mensagem que traria toda a diferencia para aquela sociedade como ele mesmo disse seu propósito era anunciar o Cristo crucificado.
    Muitos hoje e porque não dizer a população mundial aguarda por soluções para os conflitos sociais e até mesmo anseiam por um grande líder que ofereça respostas as suas dúvidas, estes são os anseios deste mundo. A resposta não está com os filósofos, sociólogos ou políticos a solução está em anunciar a mensagem da cruz que restaura o mais vil pecador, fazendo dele uma nova criatura. A solução para a humanidade é a mensagem do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, Rm 1.16.14.

CONCLUSÃO

   A igreja de Cristo deve comprometer-se em ter zelo e fidelidade na pregação da mensagem bíblica. Muitos são os abusos cometidos nos diversos púlpitos das diversas denominações evangélicas do Brasil e do mundo levando pessoas ao desconhecimento da verdadeira mensagem bíblica.
    A bíblia é nossa única regra de fé e prática onde todos os nossos sermões devem estar fundamentados. Boas mensagens são aquelas que levam o homem a obter conhecimento de Cristo o que resultará em desenvolvimento de sua vida cristã de forma saudável.
    Se quisermos igrejas fortes e saudáveis teremos que ser fieis, deixando de pregar mensagens de autoajuda e pregando o genuíno evangelho de Cristo. Como bem disse João Batista “importa que ele (Cristo) cresça e eu diminua”, Cristo deve ser o centro da nossa pregação.
    Será que temos sido fieis em nossos sermões, será que esses têm
conduzido vidas a Jesus Cristo, ou apenas tem sido mensagens paliativas?
   Sejamos fieis em nossa missão!

BIBLIOGRAFIA

FERREIRA, Franklin. Pilares da Fé: A atualidade da mensagem da Reforma. São Paulo. Vida Nova. 2017

BONHO, Josemar da Silva Alves. Martinho Lutero: Pregador da cruz.teologiaeliturgialuterana.blogspot.com/martinho- lutero- pregador- da- cruz

MORRIS, Leon. I Coríntios introdução e comentário. Editora Mundo Cristão. São Paulo. 1986

JONES. David Martin Lloyd. Jesus Cristo e este crucificado. Editora PES- Publicações Evangélicas Selecionadas. São Paulo.

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4 comentários:

  1. Gostei muito e é uma grande verdade temos que Deus acima de tudo na nossa vida e temos que pregar somente o que está na biblia.

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    1. Olá, graça e Paz!

      Obrigado por ler e ter deixado seu comentário.

      Deus abençoe sua vida a cada dia!

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  2. Infelizmente,muitos teologos tem se preocupado mais em pregar prosperidade,em colocar títulos em cultos, do que pregar CRISTO crucificado, e Salvador da humanidade, tirando o nossos pecados e nós reconciliado com Deus.

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    1. Olá, Graça e Paz

      Obrigado pela leitura e comentário aqui postado.

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