sábado, 24 de novembro de 2018

A Religião Pura e Verdadeira



   A. B. Langston em seu livro Esboço de Teologia Sistemática ao fazer um resumo sobre o significado de religião ele afirma: “a religião é, pois, vida em Deus, vida que se manifesta em todos os nossos atos e em todas as nossas relações”. A partir dessa afirmação entendemos que dizer que é religioso exigirá de nós um completo envolvimento entre sentimentos e obras e o sentimento diferencial para isso será o amor, I Co 13.3.
     Pregar o evangelho é a missão da igreja de Cristo, contudo, a pregação do evangelho não deve limitar-se somente as palavras essa pregação deve também ser demonstrada com boas obras. Em Tg 2.15 e 16 temos a confirmação de que palavras sem obras não tem valor algum, assim diz Tiago:
v.15 – E, se o irmão ou irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano,
v.16- e algum de vos lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
     A verdadeira fé em Jesus Cristo nos levará também a prática de boas obras. No texto acima referido, o apóstolo Tiago usa tal exemplo para falar sobre uma verdadeira fé em Cristo, pois essa será composta de boas obras. Como alguém poderia demonstrar ter Fé em Jesus Cristo se esse primeiro não mostrasse compaixão pelo seu próximo que estaria com frio e fome?, segundo Tiago esse tipo de fé é morta em si mesma.
     O cuidado e orientação sobre o trabalho social é ensinado ao povo de Deus desde o antigo testamento. Em Levítico 23.22 e Dt 24.19-21, vemos o cuidado de Deus pelos órfãos, viúvas, pobres e estrangeiros, analisem os textos:
Levítico 23
v.22- E, quando segardes a sega da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o Senhor vosso Deus.
Deuteronômio 24
v.19- Quando no teu campo segares a tua sega e esqueceres uma gavela no campo, não tornarás a tomá-la; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será; para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em toda obra das suas mãos.
v.20- Quando sacudires a tua oliveira, não tornarás atrás de ti a sacudir os ramos; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será.
v.21- Quando vindimares a tua vinha, não tornarás atrás de ti a rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será o restante. 
      Deus orienta seu povo para que após a colheita não voltassem atrás para fazer uma segunda daquilo que restou, pois essa já tinha um propósito específico o alimentar estrangeiros, órfãos e viúvas. Muitas vezes alguns deixam entender que a providencia de Deus será igual a que aconteceu com o povo de Israel quando estiveram 40 anos no deserto em que o maná caia do céu esquivando-se assim de tantas orientações bíblicas sobre ajudar o seu próximo.
     Na primeira multiplicação dos pães e peixes os discípulos disseram a Jesus para despedir a multidão, pois a hora já estava avançada mais Jesus imediatamente lhes dá uma resposta: “Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer”, Mt 14.15,16. Naquele momento os discípulos foram repreendidos por Jesus, pois queriam despedir o povo para que esses procurassem por alimento, mas esses estavam ali para ouvir de Jesus e receber o milagre e era uma grande “multidão que o seguia a pé”. Analisemos as palavras de Jesus: “dai-lhes vos de comer”; os discípulos não poderiam e não deviam fechar os olhos a situação do momento. Na segunda multiplicação dos pães e peixes, Jesus mais uma vez se compadece da multidão: “Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias e não tem o que comer, e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho” Mt 15.32. Os Fanáticos religiosos diriam que seria bom que ficassem mais um pouco sem comer, pois assim refreariam os desejos da carne; já os egoístas diriam que eles deveriam partir, pois isso não é problema meu e vai me faltar alimento.  


      A partir dessa primeira análise somos impelidos a refletir sobre que tipo de religião é essa que estamos praticando. Em Tg 1.27, nos diz:
v.27- A religião pura e imaculada para com Deus, o pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
    No texto acima, Tiago faz a citação sobre a religião pura e imaculada, ou seja, sem manchas, sem sentimentos ou motivações escusas. Aqui o apóstolo vai tratar sobre duas situações que envolvem a vida religiosa: o próximo e uma vida santa (separada, dedicada). Cuidar do próximo é um mandamento bíblico que deve ser observado. Há muitos que fecham os olhos para a situação que o seu semelhante está vivendo e assim, não expressa o amor de Cristo.
     Outra orientação que o texto nos oferece é “guardar-se da corrupção do mundo”. Há quem diga que “os fins justificam os meios”, contudo a bíblia nos orientar a ter uma vida santa, I Pe 1.16. Alguns homens ganharam destaque na Bíblia Sagrada por guardar-se da corrupção do mundo, mas eu gostaria de citar quatro: Noé, José, Jó e Daniel.
     Segundo a narrativa bíblica, Noé em meio a um contexto social como narrado em Gn 6 onde Deus se arrependeu de ter feito o homem (v.7), contudo Noé se destacou achando graça aos olhos do Senhor e por isso foi salvo juntamente com sua família da destruição, Gn 6.8, 9,18.
    Outro exemplo é José que foi vendido por seus irmãos por 20 moedas de prata a uma caravana de comerciantes ismaelitas que chegando ao Egito o vendeu a Potifar se tornando assim escravo, contudo ganhou reconhecimento devido ao seu trabalho e se tornou administrador de todos os negócios da casa de Potifar. José manteve-se fiel no seu serviço a Potifar respeitando também a esposa de seu senhor que, quando tentou seduzi-lo imediatamente se negou a deitar-se com ela sendo assim acusado por uma tentativa de abuso sexual. Tendo sido acusado por tal crime foi para prisão, mas, ali também foi reconhecido por seu testemunho e passou a ajudar o carcereiro. Conhecemos muito bem o resultado da fidelidade de José ao seu Deus em guardar-se da corrupção do mundo; José tornou-se Governador do Egito. Vemos ai à história de um Jovem que diante de tantas situações, não se permitiu à corrupção e a luxuria ao contrario, manteve-se firme em seu propósito em servir ao SENHOR, Gn 37-50.
     Outro personagem bíblico é Jó um “homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal”, Jó 1.1. Este também foi um homem que ganhou testemunho da parte do SENHOR.
     Cito também Daniel, um jovem judeu que foi levado para a Babilônia um reino idolatra e corrupto, contudo manteve-se fiel ao seu Deus em meio as ofertas e perseguições que surgiram ao longo da vida, Dn 1. 8/ 6. 1-28.
     O cristão deve preservar a sua vida da corrupção, fugindo da aparência do mal como nos diz a bíblia, I Ts 5.22. As escrituras afirmam que o mundo jaz no maligno, ou seja, devido ao pecado o homem se tornou um escravo e dessa forma está morto em seus delitos e somente em Cristo este encontrará a libertação, pois só ele pode nos conceder a verdadeira vida nos livrando da ira futura, Ef 2.1-3 /I Jo 5.19/ I Ts 1.10.
     Voltemos às escrituras, voltemos à prática do verdadeiro evangelho! 

BIBLIOGRAFIA

A.B. Langston- Esboço de Teologia Sistemática

Bíblia de Estudo de Genebra- ARA-Edição Revisada e Ampliada 2009

Bíblia Sagrada- SBB- ARC- 2009
 
Tiago Introdução e Comentário- Douglas J. Moo- Editora Vida, 2011

3 comentários:

  1. Realmente dividir o pão, fazer tudo comum , é o nosso desafio como servos do Senhor . Deus muito o abençoe pelo excelente texto , muito bem explorado . Roberto Ponce

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  2. Prezado amigo,
    Ótimo estudo; grato pela preferência, e em compartilhar a novidade recente do céu.
    Graça e paz em Jesus Cristo.

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  3. De fato, a religião pura envolve ouvir e obedecer.

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